10 de outubro de 2026 · Dia Mundial da Saúde Mental

Vivemos em uma sociedade que valoriza a produtividade, celebra a performance e transforma a superação em obrigação.

Precisamos estar motivados, disponíveis, eficientes, resilientes. Precisamos aprender continuamente, reinventar nossas carreiras, administrar nossas emoções e demonstrar entusiasmo — mesmo quando estamos exaustos.

Mas em que momento passamos a considerar a vulnerabilidade uma fraqueza?

Em que momento o sofrimento humano se tornou algo a ser escondido, corrigido rapidamente ou administrado como mais um indicador de desempenho?

A saúde mental nos convida a questionar não apenas como cuidamos de nós mesmos, mas também que tipo de sociedade, instituições e relações estamos construindo.

Nas organizações, não basta falar de bem-estar enquanto se cultivam ambientes de medo, competição permanente e exigências desumanas.

Na educação, não basta formar profissionais tecnicamente competentes se não cultivamos também a sensibilidade, o pensamento crítico, a empatia e a capacidade de conviver com a incerteza.

Nas relações humanas, talvez precisemos aprender algo aparentemente simples, mas cada vez mais raro: escutar verdadeiramente, sem julgar, sem interromper e sem a necessidade imediata de oferecer soluções.

Há uma diferença fundamental entre estimular a resiliência e naturalizar condições que exigem resistência permanente.

Nem todo sofrimento é uma deficiência individual de adaptação. Às vezes, é também um sinal de que algo precisa mudar no ambiente em que vivemos.

Neste Dia Mundial da Saúde Mental, gostaria de deixar uma reflexão:

E se, em vez de perguntarmos apenas como tornar as pessoas mais capazes de suportar as pressões do mundo, começássemos também a perguntar como construir um mundo que produzisse menos sofrimento?

Cuidar da saúde mental não é apenas uma responsabilidade individual. É também um compromisso coletivo, ético e profundamente humano.

Ricardo Razuk

Para continuar a reflexão

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