Filosofia como prática diante da incerteza.
Minha pesquisa investiga o ceticismo não apenas como problema acerca dos limites do conhecimento, mas como uma maneira de compreender a dúvida, a inquietude, a experiência, o julgamento e a ação. Montaigne ocupa o centro dessa investigação.
O ceticismo pode ser uma filosofia prática?
É dessa pergunta que parte meu trabalho. Em vez de tratar o ceticismo apenas como uma teoria sobre aquilo que podemos ou não conhecer, interessa-me examinar o que ele faz com a maneira de viver, julgar, escolher e agir.
Isso desloca o problema. A dúvida deixa de ser simplesmente uma falha a corrigir e passa a ser uma condição com a qual a razão precisa aprender a trabalhar. A investigação filosófica torna-se, assim, uma prática de revisão, atenção à experiência e resistência à pretensão de certeza definitiva.
Como continuar pensando e agindo quando não há fundamento capaz de retirar todo risco da ação?
Essa pergunta atravessa minha leitura do ceticismo antigo e moderno e organiza quatro eixos recorrentes da pesquisa.
Quatro problemas que se mantêm em tensão.
A pesquisa não procura dissolver essas tensões, mas compreender como elas podem coexistir numa filosofia que permanece ligada à vida prática.
Do exercício da dúvida à forma de vida
O ceticismo moderno como prática de investigação e modo de vida, tendo os Ensaios de Montaigne como referência central.
Viver sem resolver tudo
A dúvida não apenas como crise a ser superada, mas como parte de uma racionalidade que precisa agir sem eliminar completamente a indeterminação.
Aprender pelo encontro com o real
A formação do julgamento pela experiência, pela revisão das próprias crenças e pelo confronto com aquilo que resiste às nossas expectativas.
Decidir sem fundamento definitivo
Como escolher e agir quando nenhuma garantia é capaz de retirar da ação todo risco, contingência ou possibilidade de revisão.
Do ceticismo antigo à inquietude moderna.
Meu trabalho procura compreender continuidades e deslocamentos entre formas antigas e modernas de ceticismo sem reduzi-las a uma identidade. Interessa-me sobretudo aquilo que acontece quando a suspensão, a dúvida e a experiência deixam de ser apenas operações argumentativas e passam a tocar modos de vida.
No centro está Montaigne, mas a investigação exige um diálogo mais amplo com a tradição cética e com leituras contemporâneas do ceticismo moderno. Essa discussão reaparece em A arte de não ter razão e O não-saber como resistência ética e política, em contextos distintos.
A tradição pirrônica fornece um vocabulário decisivo para pensar investigação, suspensão do juízo e a relação entre ceticismo e vida prática.
Os Ensaios ocupam o centro da pesquisa: experiência, julgamento, instabilidade e vida ordinária tornam-se matéria filosófica.
O problema cético se transforma quando passa a conviver com novas concepções de sujeito, racionalidade, certeza e ação.
A pesquisa dialoga com interpretações contemporâneas que recolocam o ceticismo moderno como filosofia prática, sem reduzir seus efeitos a uma técnica ou promessa de serenidade.
Formulações que emergem da pesquisa.
Não são apresentadas aqui como slogans nem como novidades isoladas, mas como articulações conceituais que ganham sentido dentro do argumento mais amplo da tese.
Exemplaridade sem universalidade
A experiência singular pode ser comunicada e tornar-se relevante para outros sem precisar converter-se em regra universal, modelo obrigatório ou garantia de reprodução.
Ética da permeabilidade
Uma maneira de pensar a ação como abertura à experiência e à exterioridade, reconhecendo os limites da autonomia, do controle e da autossuficiência.
Pesquisa, prática e experiência estética.
O trabalho filosófico não se encerra na tese. Ele se prolonga em outras formas de investigação e de conversa.
Filosofia & Pesquisa
O núcleo acadêmico: ceticismo, Montaigne, experiência, julgamento, inquietude e ação.
Nesta página AplicaçãoFilosofia Aplicada
Profissões e situações reais como laboratórios de julgamento, decisão, conflito, cuidado, tecnologia e incerteza.
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Canções, repertórios e shows como ocasiões para pensar tempo, identidade, inquietude, memória e sentido.
Explorar Música & Filosofia →A pesquisa também se torna ensaio, artigo e projeto público.
Em Ideias & Conteúdos, reúno textos que aproximam ceticismo, incerteza, julgamento, ética, educação e vida contemporânea.
Leituras para aprofundar
Ensaios do arquivo que prolongam os problemas desta página em situações e experiências concretas.